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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

ĈU IO?


Resultado de imagem para imagens ambivalentes

gravurita je necerteco 
kaj lumo
plena je imagoj
verkas realaĵojn
ĉiu poemo: poezia
palpebrumo

ĵusa manifestacio
poemo sentempas
ene de Historio:
ebligas vidigon
de Poezio - ĝi mem
ĉu malkio?

***
esculpida na incerteza
e na luz
pleno de imagens
cada poema recria o real:
piscada poética

manifestação recente
poema atemporal
dentro da História:
torna visível
a Poesia - ela mesma
inexistência?

https://eo.wikipedia.org/wiki/Elektrono 

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

GRAVECO

Resultado de imagem para espiritualidade

Religio estas la plej grava kaj respektinda afero por tiuj, kiuj opinias, ke religio estas la plej grava kaj respektinda afero. Indas tamen pensi pri tio: "Religio estas kvazaŭ botelo, kies esenco esta spiritualeco. Kiu opinias, ke sia botelo estas la sola ĝusta, tiu anstataŭis la esencon al etikedoj, dogmoj, kredoj." (Trovite ie ajn;)

domingo, 18 de dezembro de 2016

KREOTA TEKSTO

Resultado de imagem para criação poética mistério

[Pro sia enhavo mem la teksto transiras de Esperanto al la portugala, kie ĝi staras. Por seu próprio conteúdo o texto transita do Esperanto ao Português e nele fica.]

1
La ĵus kreota teksto iel jam nunas ie. Kie? Mistere ĉie kaj nenie. Samtempe. Diversloke. Kial kreotaj tekstoj tiel instige misteras? Mi gapas!

Meio que acordo com essas palavras ditatorialmente me impondo o despertar e o escrever. Além de reflexões mais ou menos tais. Por que, num quem-sabe-sonho, são essas as palavras que me despertam? E mais: por que me chegam, fluxo-de-consciência-rio, assim tão pororocas?

Calma, leitores. Traduzo ao português. Quem sabe o kreota klariga teksto, o tradukota teksto me revele seus mistérios daquilo que, estando por ser criado, em alguma dimensão, em algum espaçotempo, já está criado! Vai dar trabalho traduzir do sintético original ao palavroso similar em português. Mas, vamos lá!

Ficaria algo assim: O texto que está por ser criado agorinha, nos próximos instantes, de algum modo já agoresce em algum lugar. Onde? Misteriosamente em toda parte e em parte alguma. Ao mesmo tempo. Em diversos lugares. Pluridimensionalmente. Por que os textos a serem criados tão instigantemente se fazem mistério? Boquiaberto-me!

Além de transitar da síntese, na formulação linguística no Esperanto, ao espraiado e palavroso da possível versão à minha língua primeira, materna, étnica, a que moldou meu espírito desde a mais tenra idade, a brasileiramente portuguesa, além disso, comparar as versões parece trazer luzes insuspeitas sobre processo de criação, mecanismos mentais peculiares mais que só psicológicos, porém habilidades psíquicas emergentes naquele que falescreve e, mesmo, sonha em Esperanto. Me explico melhor.

2
O sonho (desses noturno-matinais cotidianos) tinha imagens inusitadas e, por definição, instigantes. Um veículo que eu estava dirigindo, sabe-se lá como, numa curva da estrada se separa de mim, segue um pouco adiante, e se perde! Simplesmente some. Intrigadíssimo, fico para trás, meio incapaz de me boquifechar, que a perplexidade não me deixava. Ao despertar (difícil saber se não é justo enquanto durmo que estou mais... desperto), enfim, ao despertar, ainda sem encontrar o desviado e apartado veículo, deparo com o mistério: um texto nítido, porém ainda insabido, insistia em aparecer no céu da percepção e - mais incrível - em Esperanto. As reflexões que se seguiram ao sonho do veículo perdido e do texto que me abalroava (como se fosse veículo-perdido-e-sem-motorista) compartilho-as, em Português, com o misterioso leitor/leitora virtual com quem dialogo enquanto-o-texto-se-formula. Esse compartilhar chama o próximo bloco (como se diria em linguagem televisiva).

3
Melhor esmiuçar a tradução. Não sei se em busca do eu-motorista, do veículo-texto, ou do possível sentido disso tudo. Ou em busca do e/ou em vez de só do ou. Como queiram! De que meios e modos lança mão o texto original na sua peculiaridade esperântica? Com licença, recriem comigo a palavra!


Em primeiro lugar, esse ĵus kreota teksto (“o texto que está por ser criado agorinha, nos próximos instantes”) deve ser uma dessas caixinhas-de-mil-compartimentos que fazem a alegria da namorada que a recebe. As caixinhas mórficas – alguma relação com a ressonância mórfica de Sheldrake? – precisam ser pormenorizadas. Veja: krei é verbo no infinitivo (criar). Está como adjetivo de teksto (texto), estando no particípio-com-matiz-de-futuro. Calma, que no Português isto não existe. Mais devagar então! Esse particípio-com-matiz-de-futuro parece representar uma idiossincrasia (ou idiotismo, no bom jargão linguístico). Seria assim: é só no Esperanto que temos na letra-morfema -o- do kreota a ideia de tempo verbal futuro. Mas, esse tempo verbal vem conjugado com a letra-informação -t- do particípio. Ora, em Português particípio já vem no passado e, como no Esperanto, já nasce virtualmente adjetivo. Deu pra acompanhar?! Traduzir esse kreota teksto já me faz verborrágico no Português: o tal kreota teksto refere-se ao ĵus vindouro texto (isto é, o que está por ocorrer quase no justo momento em que me expresso verbalmente). Na dimensão mental ou psíquica, ou cósmica, o kreota teksto prescinde da kreota categoria de tempo e espaço, tão útil na manifestação fonética, acústico-articulatória, nessa nossa cotidiana terceira dimensão de falantes comuns (e incomuns). Este talvez-conto-crônica-ou-assemelhado a boquiabrir-nos. A promessa. Um dia, o final deste texto. Com a kreota gramatika analizo. Sacou?

domingo, 11 de dezembro de 2016

UMA PONTE PARA O FUTURO? / PONTO AL ESTONTO

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Sob o peso execrável da soberba
a ponte complacente desmorona
esfarinham-se no mesmo saco
transeuntes rígidos vindos da direita
e da esquerda: os do centrão
precipitam-se no abismo da vaidade

A pinguela na sua humildade
só deixa passar a leveza da luz
um de cada vez - e todos somos um? -
o farol de um darma o ensino de um carma
o passo do ente na estreiteza do drama

Rompida e corrompida
a ponte para o futuro 
se sabe abismo

Na pinguela do humor
transita o amor do ente
o amor dos que se abismam
e passam

Todos passam. Tudo passa.

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Sub l' abomena pezo de l'aroganteco
la indulgema ponto jam disfalas
disŝiras en la sama sako
rigidaj preterpasantoj venintaj el dekstro
kaj maldeskstro: tiuj de l' ficentrego
ekkuregas en la abismon de l' vanteco

La pontaĉo en sia humileco
nur pasigas la leĝeron de lumo
unuope - ĉu ni ĉiuj estas unu? -
la lum-turo de darmo la instruo de karmo
la paŝo de l' esto en la malvasteco de l' dramo

Rompita koruptita
la ponto al estonto 
sin scias abismo

En la pontaĉo de l' humor'
transiras la amo de l' esto
la amo de gapigitaj
preterpasantoj

Ĉiuj pasas. Ĉio pasas.



PERDÃO / PARDONO

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Homenagem a Ferreira Gullar
Sofre a Poesia
a cada baixa de um dos seu cultores
que não a faz sofrer

Ilumina-se a Poesia
quando se cala a voz
dos que nunca se calam
ante injustiças no poder
apodrecido da soberba

Solidariza-se a Poesia
com os deserdados
os empobrecidos
pela infâmia dos governantes
que traem a própria alma
feita insensível pela ganância

Redime-se a Poesia
aplaudida de pé pelo silêncio sagrado
dos que sofrem
a dor sem remédio
dos opressores contumazes
ou de ocasião

Poesia - perdão na denúncia implacável.

******


Omaĝe al Ferreira Gullar
Suferas Poezio
pro la morto de elstara poeto
ĝin ne suferiganta

Enlumigas Poezio
kiam silentas la voĉo
de tiuj neniam silentigitaj
antaŭ maljusticoj de povuloj
putraj de l' aroganteco

Solidarigas Poezio
al senheredigitaj
al malriĉigitaj
de la maldeco de povuloj
perfidantaj la propran animon
malsentma pro voluptemo

Elaĉetas Poezio
aplaŭdita piede de la sankta silento
de l' senrimedaj suferantoj
de la doloroj
de la obstinegaj aŭ eventualaj
subpremantoj

Poezio - pardono dum nepardonema denunco.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

LÁGRIMA SINCERA E CASTA / LARMO SINCERA ĈASTA

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Ô lágrima glacial desse novembro inquieto,
como fazes tobogã nas maçãs do rosto
da Poesia lenta e dengosa?
Como desces densa e doce sobre o poema
assustado e arredio?

Lírico, mas precavido, o eu lírico se comove
com a mancha no papel
impressa por essa lágrima chuva
de um novembro seco por Justiça
que se virá já tarda requentada fria

Chovem graves denúncias gordos salários
esbanjando privilégios
contra essa Justiça entre nós praticada?

Parece refletir no espelho susto
dos olhos da amada
essa suspeita sem jeito
deitada sobre agentes
do Direito esbugalhado e em frangalhos:
aos amigos quebra-galhos
aos desafetos surra de varas

Pelo alvoroço das ratazanas
parece chover de encharcar palácios
dos três poderes minúsculos e vorazes
na apresentação da conta ao povo
a conta dos desmandos de poderosos
a conta do desmancho de mecanismos
do investigar e punir
a conta do faz de conta que se legisla
executa e julga para a cidadania

Como secar a mancha no poema
sem desautorizar a lágrima
sincera e casta que a promoveu?

***************
Resultado de imagem para chuva fria de novembro

Ho frosta larmo de tiu malkvieta novembro,
kiel glitas vi sur la vang-ostoj
de Poezio lanta kaj afektema?
Kiel densa dolĉa glitas vi sur la poemo
ektimiga kaj foriĝema?

Lirika, sed singarda, kortuŝa lirika mio 
pro surpapera makulo
printita de l’ pluvo de tiu larmo
novembra avida je Justico:
se venonta, malfruas revarmiga malvarma

Pluvas ĉu gravaj denuncoj diksalajraj
malŝparo privilegioj
kontraŭ tiu Justico ĉe ni praktikata?

Ŝajnas riflekti sur la ektimiga spegulo
de l’ amatina okuloj
tiu suspozo fuŝa
kuŝanta sur agentoj
de Juro ĉifona elorbigita:
por amikoj elturniĝoj
por kontraŭuloj frapego.

Laŭ la agitiĝo de rategaro
ŝajnas pluvego inundiga de palacoj
de l’ tri povoj minusklaj avidaj
prezentantaj al civitanar’ la fakturon
la fakturon de devioj de povuloj
la fakturon de nuligo de meĥanismoj
de investigado kaj puno
la fakturon de la mensogo: oni leĝofaras
ekzekutas kaj juĝas por la civitanar’

kiel sekigi la makulon sur la poemo
sen senrajtigi larmojn
sincerajn ĉastajn ĝin promociinta?

domingo, 13 de novembro de 2016

EGALRAJTA KOMUNIKADO / COMUNICAÇÃO IGUALITÁRIA

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Esperant’ demokratias
ĉiu civitan’ egalas
tra ĝi ja internacias:
lingvobaroj tuj disfalas

la mondo fine konstruas
interlingve novan ordon
la popolo gaje ĝuas:
Esperanto boras pordojn

tra la pordoj sentoj fluas
koroj tuj komunikiĝas
al homfratec’ kontribuas:
la homaro kunfratiĝas

kreiĝas per poezio
(finiĝas do mia kanto)
tempo jen de harmonio:
mirindaĵoj de Esperanto

silentas nun ĉi kantist’:
kial nu nin surprizigas
la tipa esperantist’?  


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Esperanto, democracia
todo cidadão é igual
- muro das línguas... à míngua -
se sente internacional

o mundo enfim não se furte
entre as nações nova ordem
cada povo alegre curte:
o Esperanto abrindo portas

por onde sentimentos fluem
corações se compreendem
fraternidade usufruem
humanos que já se entendem

vem vindo qual poesia
(fecho aqui este meu canto)
novo tempo de harmonia
– maravilhas do Esperanto

o cantor não mais insista:
por que tanto surpreende
o típico esperantista?  

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

ĈIVORTUME / NESTES TERMOS

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ĈIVORTUME
Nur nun’ estas ĉiame
cetero, pleniluzi’
mallumo elektodume
komploto arbeta soifa
libera surpada sopir’

Nur nun’ estas ĉiam unika
cetero, pieda enfikso
sur ĵelea firmeco:
en metafora malmunto
la ĵetado de sparkoj
prudenton rocion preferas
svingiĝo iel maldeca

Nur nun’ ĉiam inspiras nin
cetero, sekvo sindetena
forgesitaj elekto stelo
fraŭdo honestoŝajna
gantofrapo ribeleto
gazetara toga trompigo
el kien mi iros malscias, ĉu mi venis

Nur nuno ĉiamas – poemoj klavoj plumoj
povas seki povas lumi
persistemojn havas vivo
        - aprobo ja atendata!


NESTES TERMOS
Só agora é para sempre
o resto, minhocação
escuro no mei’ da escolha
conluio de arbusto e sede
anseio solto na trilha

Só agora é ímpar sempre
o resto, o fincar do pé
na firmeza da geleia:
no desmonte da metáfora
o arremesso de fagulhas
prefere prudência orvalho
indecente em seu gingado

Só agora inspira sempre
o resto, respingo preso
escolha esquecida estrela
fraude fingida de honesta
tapa de luva e motim
mão de gato – toga e mídia –
de onde vou não sei se vim.

Só agora é para sempre poemas teclas canetas
podem secar ou luzir
tem a vida persistências

        - espera deferimento!