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domingo, 15 de agosto de 2010

FLUIDEZ

Paulo Nascentes

Sem esforço idéias desfilam nuas
de palavras sempre esquivas: pugilistas grogues.
Sem esforço idéias grogues desfilam conexões ímpares
na página apaixonada.
Sem esforço palavras ímpares e grogues
apaixonam-se por seus pares
e faíscam nuas poesias bêbadas de luz e de esgoto: treva e trovão.
Sem esforço um poema fede
sob o zinco subnutrido do barraco lírico e etílico
das orgias governamentais.
Sem esforço parlamentares acariciam propinas
no silêncio corrupto.
Sem esforço o poema finge fluir
e engasga a leitura fácil e sem esforço
dos acomodados.
Sem esforço o esforço se disfarça
e diz:
- Farsa!