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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

IDIOMA INTERDITO

Paulo Nascentes
No espaço exíguo
o poema do amor à míngua,
no espaço contíguo
teu amor na minha língua.


     E minha língua no teu dorso
     degusta teu reverso
     e tua língua lambe meu esforço
     e saboreia lenta o sêmen do meu verso.


(Do livro Sobrevida)


IDIOMO INTERDIKTA

En la malgrando spaca,
mi ampoeme malsatas
apudloke surfaca
vi amolange lingvatas.

Mi langas vin dorse,
gustumas vin reverse,
leko via nerimorse
glutas mion semoverse.


(Esperantigita de Adonis Saliba)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

EU QUERO, AMIGA!

Paulo Nascentes
a lentidão dos astros
ao percorrer o céu da tua pele
eu quero
a volúpia incandescente das lentas lavas
ao deslizar as vertentes do teu dorso
eu quero
a lascívia lenta e lassa de sol-posto
ao escalar a colina dos teus cones
quero
a sinfonia calma − oco das grutas −
ao percutir o agogô macio dessa bunda
eu quero
mas sobretudo
a fúria de mil lobos
uivando em descontrole em teu regaço
eu quero
o calor borbulhado de altos-fornos
derretendo o aço dos gestos de equilíbrio
eu quero
o furor trepidante das borrascas incontidas
do teu ser inteiro
eu quero
e novamente
a lentidão dos astros
quero
a volúpia incandescente das lentas lavas
quero
a lascívia lenta e lassa de sol-posto
quero
a sinfonia calma a calma sintonia
do teu ser inteiro
quero
e quero
− e quero

ISTO FAZ UM BEM!

Paulo Nascentes

Meu poema foi recolhido
tá encolhido no xadrez.
Cheirava coca
cheirava cola
na praça da Sé.


Meu poema é dimenor
no chafariz tomou banho
num otário fez um ganho
meu poema deu no pé.


Agora está recolhido
no fundo da Funabem
na Funabem servem coca
cola não sei se tem
meu poema tá magrinho
ossinho como ele só!
Barrigão de verminose
sonha sonhos de overdose
poema te sei de cor,
poeminha dimenor!