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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

TRAGÉDIA NA DUTRA

Quase quatro da manhã. Tem alguma carreta desgovernada nas veias, vias, estradas do meu corpo. Completamente alcoolizado, o motorista, perdido o freio, derrapou numa poça de histamina e desencadeou a tragédia, atingindo diversos carros de passeio, as vítimas já na casa das dezenas.

O motorista do veículo vermelho vivo, modelo braço esquerdo, com placas de coceira, sobreviveu, mas seu estado é grave, pela extensão das queimaduras. Os passageiros do modelo braço direito vermelho sangue também agonizam, entre a vida e a morte. Duas crianças nesse mesmo veículo tiveram as costas carbonizadas, sentem dores e coceiras, mas parecem fora de perigo.

A colisão atingiu mais quatro veículos, modelos pés e tornozelos, direito e esquerdo. Quatro especialistas do Serviço de Imperícia Médica do IML estão no local, mas o laudo só sairá em 60 dias, pois as causas do acidente permanecem desconhecidas, e o número de vítimas pode crescer, pois os jovens juízo e autocontrole encontram-se desaparecidos em meio às ferragens e pruridos espalhados numa vasta região.

Há dois dias sem dormir, o motorista da carreta, desnorteado, não tinha completa consciência das dimensões do desastre. Ao nosso correspondente declarou não se lembrar como derrapou na poça auto-imune. Disse que perdeu o freio e ao tentar desviar da outra carreta que vinha em sentido contrário atingiu vários veículos, capotando em seguida. Ninguém foi hospitalizado, que a cura deve se dar como nos tempos da abertura oferecida pelos militares - lenta, gradual e segura.

Do trágico acidente, além dos mortos e feridos, sobrou entre as ferragens retorcidas essa crônica xinfrim, com toques de humor insano e doses de poesia desnutrida e diluída em meio copo d'água. Recomenda-se agitar a solução - se alguma houver, nesse caso.