Páginas

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O vasilhame Esperanto e o seu conteúdo esperanto


Começo por agradecer ao Autor a gentileza de permitir a publicação em nosso PAPO.COM.PNASCENTES do texto O vasilhame Esperanto e o seu conteúdo esperanto. Aguardo, leitor, leitora, seu comentário. Dankon, digo, grato!

Josias Barboza, Brasília
Amigos, acompanhando uma discussão recente sobre línguas internacionais, noto que alguns de nós percebem que fazemos confusão de ideias quando nos prendemos à palavra esperanto ao nos referirmos à proposta de língua internacional do Doutor Esperanto. A palavra esperanto já adquiriu, pela força do uso, uma energia própria, carregada de idealismo e até, entre nós brasileiros, de um certo teor de religiosidade, pela origem cultural da sua chegada ao Brasil. A palavra esperanto vem pouco a pouco eclipsando a idéia original da obra de Zamenhof, que propôs ao mundo não o esperanto, mas uma língua internacional. Tenho tentado separar em minha mente esses dois termos e assim resgatar a proposta original do seu iniciador. Essa confusão das ideias presentes nos termos língua internacional e esperanto, às vezes nos faz dispersar energias, dirigindo-as ao continente, pelo seu rótulo, em vez de ao conteúdo, o que há dentro da palavra esperanto.

Quem conhece a história do esperanto sabe que ao final do segundo parágrafo do rascunho da Declaração Sobre a Essência do Esperantismo, que foi publicado antes do Primeiro Congresso Mundial de Esperanto, estão as palavras textuais de Zamenhof: “Sed se kontraŭ ĉiu atendo iam montriĝus, ke per ia alia vojo la ideo de lingvo internacia povas esti realigita pli bone, pli rapide, ol per Esperanto, tiam la aŭtoro de Esperanto aliĝos al tiu nova vojo kaj kune kun li espereble ankaŭ ĉiuj esperantistoj.”

O esperanto é hoje a melhor proposta de língua internacional, por estar vivo e atuante, e estar tomando posição (Vide os últimos acontecimentos franceses, húngaros, poloneses e chineses.) para ocupar o posto e desempenhar a contento o papel a que o destinou o seu primeiro propositor. Ser uma ferramenta política internacional a fazer ponte neutra entre as multicores identidades culturais, insubstituíveis.

Pela rapidez com que se extinguem as línguas minoritárias, pela força dos meios de comunicação de massa, torna-se hoje necessária, mais do que ao tempo de Zamenhof, a existência de uma língua internacional neutra para fazer ponte e assim preservar da destruição inexorável as multicores identidades culturais étnicas, através da preservação das suas línguas.
Se já nos percebemos sobretudo humanistas, vale a pena revisar a nossa noção do que seja o esperanto e redirecionar tempo e energia para fazer corporificar essa proposta, sem nos importarmos com o nome que foi dado a ela.