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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

ESPERANTO SE APRENDE PELA INTERNET?



Artigo elaborado com base em levantamento de opiniões realizado pelo professor de Esperanto Adonis Saliba junto a alunos do Programa Mia Amiko, abaixo referenciado. Os sobrenomes dos depoentes foram mantidos em sigilo para proteção das respectivas individualidades.

Paulo Nascentes

A possibilidade de aprendizagem de idiomas por computador, tablet ou smartfone com acesso a internet parece estimular especialmente os mais jovens. Para saber como isto se aplica ao Esperanto, o professor Adonis Saliba iniciou pesquisa, ainda que informal, entre os que buscam os recursos da rede mundial de computadores para falar a Língua Internacional, que pretende oferecer uma comunicação neutra, democrática e com igualdade de condições para falantes de diferentes nacionalidades. As experiências, expectativas, dúvidas e dificuldades aparecem nos primeiros depoimentos dos que se aventuram nesse desafio hoje crescente: como adquirir instrumento linguístico adequado para o exercício da cidadania mundial.

A necessidade de um professor para orientar os exercícios, mediar o diálogo entre iniciantes, indicar fontes adicionais, como livros, periódicos, gramáticas, emissoras de rádio foi o principal ponto destacado. O portal Lernu.net (1)
, um dos mais conhecidos por sua divulgação mundial, foi o caminho escolhido por William R., 31, São Paulo (SP), que garante: Aprendi boa parte do que sei no site Lernu.net. O site e as aulas são muito bons e, por ser uma língua fácil de aprender, já dá pra ter boa base para entender textos escritos e vídeos. O que falta mesmo é (...) ter contato com uma pessoa que fala [o Esperanto] para praticar a conversação e aperfeiçoar o uso no dia-a-dia. Opinião semelhante defende Rosângela M. S., 55, Rio de Janeiro (RJ): A internet oferece bons recursos para o aprendizado de Esperanto. Eu mesma comecei a aprender estudando pelo Curso de Esperanto (2) e depois fazendo os cursos do Lernu.net. São excelentes cursos, dão uma boa base, mas não são suficientes... Primeiro porque, para ser autodidata, é preciso ter muita disciplina, e falta nesses cursos um acompanhamento, uma pessoa que oriente o aprendizado, corrija os erros, solucione as dúvidas... Então, chega-se a um estágio em que esgotam-se os recursos da internet. É preciso ir mais além... Uma língua para ser considerada “viva” tem que ser usada, tem que ser falada, tem que servir, de fato, como meio de comunicação. Neste ponto os cursos da internet deixam a desejar. E ela cita outros recursos auxiliares na aprendizagem: Considero o Programa Mia Amiko - PMA (3) inovador. Lembro-me de quantas vezes desejei ter alguém para sanar as minhas dúvidas, conversar... Quando esgotei os recursos tive que procurar um curso presencial para treinar a conversação e me desinibir para usar outros recursos da internet, como o Skype. Atualmente me correspondo com vários amigos de outros países e já consigo manter uma conversação em Esperanto. Continuo a estudar, pelas leituras, ouvindo arquivos de áudio da Esperanta Retradio (4), frequentando um curso presencial, além de participar do PMA. É possível sim aprender a gramática do Esperanto pela internet, mas é preciso algo mais para que se possa usá-lo em todas as suas possibilidades. Kelli P. B. D., Marabá, (PA) esclarece: No começo de meu aprendizado senti muito a falta de alguém que corrigisse os exercícios que eu fazia e, embora eu dedicasse grande parte do meu dia ao estudo do Esperanto, tinha muitas dúvidas, que começaram a ser sanadas quando conheci outros brasileiros já com grande conhecimento da língua, que, além de me encaminhar para outros sites e cursos, se dispuseram também a corrigir textos e exercícios que eu fazia.

As vantagens do estudo pela internet ficam por conta da flexibilidade do tempo, da facilidade de obtenção de material suplementar e de encontrar amigos. Além disso, mesmo em cidades pequenas no interior é possível acompanhar o curso. Como acentua Fábio G. A., 31, Juiz de Fora (MG), a vida hoje é muito corrida, para mim fica difícil fazer um curso presencial. E acrescenta: Encontrei também muito material auxiliar na internet, como filmes, documentários, entrevistas, rádios em Esperanto, o que ajuda muito na audição e no vocabulário. Na internet é fácil você encontrar pessoas para se corresponder por e-mail ou conversar ao vivo por programas de voz. E a Kelli prossegue: Como moro em uma cidade do interior no norte do Brasil, não conheço pessoalmente nenhum esperantista, e onde moro parece que não há nenhum curso presencial. Então, para mim no momento o único recurso possível é mesmo a internet e através de livros que compro geralmente quando viajo. E lamenta: a internet onde moro nem sempre funciona a contento, e existem também os problemas das diferenças de horários entre as pessoas. Com argumentos semelhantes aos de seus colegas do PMA, Antonio Albiero, 38, Piracicaba (SP) assegura que os cursos online servem para dar a base sobre a qual será construída a conversação. A conversação fluida só pode advir do contato com um professor de Esperanto, com o qual será possível praticá-la e desenvolvê-la (o grande objetivo de se aprender uma língua no final das contas).

A opção pelos cursos online se deve a muitos motivos, e um dos entrevistados prefere acentuar o acesso aos bens culturais por meio do Esperanto. E resume: amigos brasileiros e estrangeiros me indicaram livros online e livros físicos. Daí, passei a uma busca por cultura esperantista e descobri vários artistas com boas músicas, o que sempre nos ajuda no aprendizado de novos idiomas. O contato com amigos do mundo todo é outra motivação forte. É a opinião do Tiago M. C., 26, Alvinópolis (MG): Estudar sozinho não é fácil. No Mia Amiko temos voluntários prontos para nos ajudar. Além de oportunidade de fazer novas amizades, conhecer pessoas de outros estados. Se for pensar em rede social, seria o lugar virtual dos esperantistas no aprendizado do idioma internacional. Existem grupos de Esperanto na internet, e é no Mia Amiko que tudo acontece. Desde que entrei nem sequer passa em minha mente a ideia de sair.

Conhecer melhor como pensam estudantes quer do Esperanto, pertencente a todos, quer das línguas nacionais preferidas de cada pessoa impõe pesquisas com metodologia adequada e análise criteriosa dos diferentes fatores envolvidos. A eficácia na aprendizagem e, principalmente, a possibilidade do uso do idioma em diferentes níveis e contextos há de estimular novas pesquisas. Que caminhos se abririam no caso de situações mais exigentes e complexas, como a formação de professores? Fica a reflexão.


Referências:
(1) Cursos Básico, Intermediário e Avançado - www.lernu.net
(2) Curso de Esperanto http://www.kurso.com.br/index.php?pt 
(3) Programa Mia Amiko http://esperanto.brazilo.org/wp2/aprenda/mia-amiko/ 
(4) Esperanta Retradio http://peranto.posterous.com/
 
Serviço:
Dicionários
Reta Vortaro http://www.reta-vortaro.de/revo/
Plena Ilustrita Vortaro de Esperanto
http://vortaro.net/
Dicionário Túlio Flores
http://vortaro.brazilo.org/vtf/
Livro de Gramática http://bertilow.com/pmeg/
Cursos online
Cursos Básico, Intermediário e Avançado www.lernu.net
Portal destinado a professores http://edukado.net
Emissoras de Rádio em Esperanto na Rede