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quinta-feira, 23 de maio de 2013

NA CONTRAMÃO / KONTRAŬFLUE


neste canto que alegrias minto?
minto muito ao dizer que só foi pranto?
em que canto ficou tudo o que sinto?
em que poema se perdeu meu canto?

que fica do poeta sem o encanto?
é poesia gota de alma inquieta
sempre perplexa com o próprio espanto?
sem mais perguntas, não se tem poeta...

e me pergunto onde estarão as minhas?
e me interrogo, alheio, assim disperso:
escondem-se em que parte destas linhas?
por que sumiram deste pobre verso?

poema lembra a dor da bailarina,
a dor da perfeição e do exercício?
a poesia é sempre a dor mais fina:
descobrir-se o poeta... fictício?

e embora se sabendo ficção,
só sabe mesmo é que de nada sabe,
sabe que vai seguir na contramão
dessa ruuua... 
                     finita... 
                                que não quer... 
                                                      que acabe...
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Kiun ĝojon mi kante ja mensogas,
remensogas dirante estis nur plor'?
en kiu kanto, mia tuta sento?
en kiu poem’ perdiĝis mia kant’?

sen sia ĉarmo, kien la poet’?
Malkviete gutas poezi’,
ĉiam perpleksa pri l’ mirego sia?
sen plu demandoj, kien la poet?

kien vi, demandoj miaj?, mi scivolas,
fremde, diseme, rescivolas mi.
sublinie? Kie kaŝite vi ire foras?
kial el povra verso fuĝas ci?

poemo, la dolor' de l' dancistin',
ĉu dolor' de l' ekzerca perfektec’?
poezi’, ĉu dolor’ la plej maldika?
ĉu fikcion sin taksas la poet'!

kvankam sciante sin fikci'
nur scias li, ke nenion li scias,
sekvos ja kontraŭflue, scias li,
ĉistraten...
                finiĝinte... 
                               neniel finu ĝi...