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domingo, 25 de janeiro de 2015

VOVOÍCE E NETICIDADE



Hás de chamar de neto ou neta
o filho ou filha do teu filho ou filha
mesmo sabendo que não és profeta.
No brilho da trilha o trilho da vigília
que te rouba o sono, meu poeta,
mas roubo sem ladrão e sem quadrilha.

"Você, Tuco, é o presente do Vovô!"
Fez do brinquedo todo o seu presente,
mas, na Presença, mostra que escutou,
com três anos conclui, voz inocente:
" Vovô, eu sou o seu presente!"

Guga e Natália mais Gigi e Tuco
- eis meu respirar, meu ar, meu lucro:
nos mais velhos revivo a adolescência,
me devolvem a infância os dois mais novos
e me devolvem a antiga ciência:
faço omelete sem quebrar os ovos.

Acordado já não resta um só neto:
na madrugada bebem energia...
O poeta, insone, a enxotar soneto
acolhe a sensação que se irradia
a percorrer o corpo, que fervilha:
o Xande, o Rafa, as duas Priscillas
são meus presentes - minha poesia!