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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

OBRA ABERTA/ MALFERMA VERK'

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Depois de comer e descomer boca seca anos a fio
vim a compreender (e descompreender):
a vida é tumulto vário o complexo é por demais
aranha engolindo pinto barata peru mamando
formiga zoa elefante guerra massacre paz.
Mais tumulto quem não faz a louca voa em vassoura
mas ele o louco varrido numa casa é o amante
na sua faz o marido segue a peça alucinante
ionesco recita brecht maltrapilho e elegante.

Na caminhada sem lápis o poema se completa
veio escrito na testa veio inscrito na veia
escorregou pelo portal escorreu pelas estrelas
no tumulto sideral comeu luz bebeu fagulha
acendeu risco e faísca compreendeu o que vai ser
ficou sem compreender poema tão escondido
encolhido em seu talvez
mais comeu e descomeu
a natureza sem drama pode encerrar com talvez
          poema mesmo escondido namora o alumbramento!

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Manĝinte kaj malmanĝinte seka buŝo jare tro
venis mi al la kompren’ (poste al la malkompren'):
vivo jen tumulto plura komplekso troiga ja
kokidon glut’ arane’ mamsuĉ’ maleagro blat’
formiko elefanton mokas – milit’ masakro pac’.
Plian tumulton ĉu ne fari frenezin’ balailfluganta
balaita frenezul’ en iu dom’ la amanto
en sia edze rolas rolas daŭre halucina
ionesco recitas brecht ĉifonul’ kaj eleganta.

Dum marŝad’ senkrajone plenumiĝas la poem’
frunte venis verkita vejne venis aliĝinta
glate glitis portalon tra steloj elfluigis
en tumulto sidera manĝis lumon sparkon trinkis
eklumis riskon sparkon komprenante pri estont'
restis tamen sen kompreno ĉi poem’ tiom kaŝita
meze al ebl' humiliĝita
manĝis malmanĝis plu
naturo tute sen dramo jen per eblo povas fini
          poem’ ravitecon flirte eĉ kaŝita ilumin'!